Ezze Seguros é boa e confiável? O que dizem as condições gerais
Por Roboão Hitner, Corretor de Seguros · Atualizado em 9 de setembro de 2026

Resposta curta: a Ezze é uma seguradora de verdade, autorizada pela SUSEP desde 2019. Mas ela também tem regras de contratação rígidas em pontos específicos, e um seguro auto que é uma operação muito mais nova do que o tamanho da empresa sugere. Veja o que as Condições Gerais e os registros públicos da Ezze mostram, antes de decidir se a proposta que você recebeu faz sentido.
A cotação chegou com um nome que você nunca tinha visto
Você pediu cotação de seguro auto, recebeu três propostas e uma delas veio com o nome Ezze. O valor é bom. Só que você nunca ouviu falar dessa seguradora na vida.
Aí você faz o que qualquer pessoa sensata faria: digita o nome no Google. E a busca te devolve duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é o site da própria empresa, dizendo que ela é sólida, ágil e completa. A segunda é uma reclamação com nota zero de alguém que se acidentou e passou raiva.
Os dois extremos. Nenhuma resposta.
É por isso que esse texto existe. Em vez de opinião, ele usa duas fontes que quase ninguém abre: as Condições Gerais do seguro auto da Ezze (v.10.0, de maio de 2026) e os registros públicos da empresa. Não é torcida, nem ataque. É o que está escrito no contrato que você assinaria.
Afinal, a Ezze Seguros é boa?
Resposta curta, antes do detalhe: a Ezze é uma seguradora de verdade, autorizada pela SUSEP desde 2019, com boa reputação em atendimento e um contrato de auto que, em alguns pontos importantes, é mais favorável ao segurado do que o padrão do mercado. Mas ela também tem regras de contratação bem rígidas em outros pontos, e uma operação de seguro auto que é muito mais nova do que o tamanho da empresa sugere.
As duas metades dessa frase importam. A maior parte do que se lê por aí só conta a primeira. O resto do texto abre as duas.
Quem é essa empresa que apareceu na sua cotação?
A Ezze não nasceu seguradora. A companhia foi constituída em agosto de 2018 com outro nome — VMV Investimentos S.A. — e sede em Fortaleza, no Ceará. Só em 2019, por assembleias de junho e setembro, ela virou EZZE Seguros S.A. A sede mudou pra São Paulo em 2020.
Esse detalhe explica uma coisa que confunde muita gente: até hoje aparece número de telefone com DDD 85 em registros antigos da empresa. Não é golpe nem empresa fantasma. É só o rastro de onde ela começou.
A companhia foi fundada por Richard Vinhosa, Ivo Jucá Machado e Cláudio Vale. Vinhosa preside a empresa, Cláudio Vale é o sócio controlador e Ivo Jucá Machado é vice-presidente de relações institucionais e marketing. A área comercial fica com Waldecyr Schiling.
É uma seguradora mesmo, ou uma associação de proteção veicular?
Essa é uma das perguntas que mais aparecem no Google sobre a Ezze, e ela merece resposta direta: é seguradora, com autorização plena.
Antes de qualquer empresa vender seguro no Brasil, ela precisa de autorização da SUSEP, a Superintendência de Seguros Privados. No caso da Ezze, essa autorização veio pela Portaria SUSEP nº 7.519, de 25 de setembro de 2019, pra operar seguros de danos e de pessoas em todo o território nacional. As operações começaram em outubro daquele ano. Na prática, isso significa que existe um órgão federal fiscalizando reserva técnica, solvência e prazo de pagamento de indenização.
Vale a pena guardar esse critério pra vida, não só pra essa cotação: seguradora autorizada tem número de processo SUSEP em cada produto, e você pode conferir isso no site do órgão sem pedir autorização a ninguém. É a diferença mais importante entre um contrato de seguro e outros tipos de proteção que circulam no mercado.
O produto de auto da Ezze roda sob o processo SUSEP 15414.611823/2023-75. Esse número está impresso nas próprias Condições Gerais.
Antes de contratar qualquer seguradora, veja como conferir o registro dela na SUSEP em dois minutos.
O detalhe que muda tudo e que ninguém te conta
Aqui está a informação que separa esse texto de todos os outros que respondem "a Ezze é boa?".
Quando você lê que a Ezze é uma companhia grande, é verdade. A arrecadação com seguros saiu de R$ 420 milhões em 2021 pra R$ 1,94 bilhão em 2025. Cresceu quase cinco vezes em quatro anos, o que é raro no setor.
Mas esse dinheiro não vem de onde você imagina. Em 2025, metade da receita veio de seguros vendidos pra empresas, e outros 40% de parcerias com bancos e plataformas. Só 10% veio da venda direta pro consumidor final. E o seguro auto, especificamente, só foi lançado em 2024.
Traduzindo pro que interessa pra você: a Ezze é uma seguradora grande e madura em vários ramos, mas o seguro auto dela é uma operação nova, ainda pequena dentro de casa. Isso não é defeito e não é motivo pra descartar a proposta. É contexto. Empresa em fase de crescimento costuma ser mais agressiva em preço e ainda estar ajustando processo de atendimento — e as duas coisas aparecem no que os clientes relatam.
Um sinal disso está no próprio balanço auditado: entre 2024 e 2025, a arrecadação subiu, mas o lucro caiu. Investir numa operação nova custa dinheiro antes de dar retorno.
Recebeu uma cotação da Ezze e quer saber se faz sentido pro seu perfil?
O Reclame Aqui diz uma coisa. A SUSEP diz outra.
Aqui a honestidade cobra um preço, e a gente vai pagar: os dois principais indicadores de reputação do setor discordam sobre a Ezze.
No Reclame Aqui, no período de março a agosto de 2026, a empresa tem selo RA1000 e nota 8,8. Foram 975 reclamações no semestre, com 99,3% respondidas e 90,1% resolvidas. Entre quem avaliou o atendimento, 82% voltariam a fazer negócio. Ela aparece em primeiro lugar na categoria de seguro residencial. Isso é resultado bom, e não é fácil de conseguir.
Só que existe outro indicador. O ranking de reclamações da SUSEP mede coisa diferente: quantas reclamações fundamentadas a seguradora recebe em proporção ao que ela arrecada. Nele, no último levantamento disponível, a Ezze aparece na 8ª posição entre 29 seguradoras no ramo de automóveis — e nesse ranking, subir de posição é notícia ruim, não boa.
Como interpretar os dois juntos? O Reclame Aqui mede o esforço da empresa em resolver o que chega até lá, e nisso a Ezze vai bem. O índice da SUSEP mede o volume proporcional de problema que chega ao regulador, e aí ela fica no meio de cima da tabela. Uma seguradora pode ser boa em resolver e ainda assim gerar bastante problema pra resolver. Quem só mostra o primeiro número está te contando meia história.
O que o contrato da Ezze tem de bom de verdade
Agora vamos pro contrato. Três pontos das Condições Gerais chamam atenção por serem mais favoráveis ao segurado do que o padrão do mercado.
Sem aplicativo e sem monitoramento do seu jeito de dirigir
Boa parte das seguradoras digitais de auto exige instalar aplicativo, aceitar telemetria ou ter o comportamento de direção monitorado pra manter o valor combinado. A Ezze não faz isso. O modelo dela é o tradicional: vistoria prévia e critérios de bônus. Se você não quer ser acompanhado enquanto dirige, isso é um ponto real a favor.
Álcool no acidente só exclui a cobertura se a seguradora provar a ligação
Quase todo contrato de seguro auto exclui a cobertura quando o condutor está sob efeito de álcool. O que varia — e varia muito — é o que a seguradora precisa provar pra aplicar a exclusão.
Nas Condições Gerais da Ezze, a exclusão só vale se a seguradora demonstrar o nexo causal entre o estado do condutor e o acidente. Ou seja, não basta o exame apontar álcool: é preciso mostrar que aquilo causou o sinistro. Isso é mais favorável ao segurado do que a redação padrão do mercado, e é o tipo de linha que ninguém lê antes de assinar e todo mundo queria ter lido depois.
Isso não é autorização pra beber e dirigir. Continua sendo crime, continua sendo risco de vida, e a discussão sobre cobertura só começa depois que a tragédia já aconteceu.
Rastreador esquecido não derruba o seguro inteiro
Quando a seguradora exige rastreador e o equipamento não é instalado, ou fica sem a revisão em dia, algumas apólices tratam isso como perda do direito em qualquer sinistro. Nas cláusulas 9.3 e 9.10 das Condições Gerais da Ezze, essa penalidade fica restrita a roubo e furto. Bateu o carro sem o rastreador revisado, a cobertura de colisão continua valendo.
Vale registrar outros pontos práticos do contrato, na mesma linha:
- Coberturas sem franquia — raio, incêndio, indenização integral, roubo e furto, e acidente pessoal de passageiros não descontam franquia
- Desconto em oficina referenciada — escolher a rede da seguradora reduz a franquia em 20%, limitada a R$ 1.500 nos veículos leves
- Prazo de pagamento — a indenização integral é paga em até 30 dias depois da entrega completa da documentação, conforme a cláusula 19.2
- Assistência 24h é opcional — não vem embutida por padrão, precisa ser contratada, e o reembolso não vale se você acionar guincho por fora dos canais oficiais
Esse último merece atenção na hora de comparar propostas. Cotação sem assistência quase sempre fica mais barata que cotação com assistência — e comparar uma com a outra dá a falsa impressão de que uma seguradora está muito mais em conta que a outra.
E o que faz o seguro não pagar?
Nenhum seguro paga tudo em qualquer circunstância, e o contrato da Ezze não é exceção. A cláusula 18.5 traz uma lista bem explícita de situações que a seguradora trata como má-fé na contratação, com perda do direito à indenização.
- CEP de pernoite diferente — informar que o carro dorme num endereço e ele dormir em outro
- Uso diverso do declarado — contratar como passeio e usar de outro jeito
- Troca de condutor na hora do sinistro — dizer que quem dirigia era outra pessoa
- Garagem que não existe — declarar garagem fechada sem ter
- Blindagem, rebaixamento ou modificação não informados — qualquer alteração relevante que a seguradora não sabia
- Condutor principal incorreto — declarar uma pessoa e outra ser quem realmente usa o carro
O último item da lista é o que mais gera negativa de sinistro no mercado inteiro, e vale explicar direito.
Condutor principal: por que a seguradora se importa tanto com isso
Não é implicância, e não é regra de uma empresa só. A lógica funciona assim, nessa ordem: a seguradora cobra pelo risco que está assumindo; motorista mais jovem tem, estatisticamente, mais sinistro; mais risco significa conta mais alta. Quando quem realmente dirige não é quem está na apólice, a seguradora cobrou por um risco menor do que o real. É exatamente aí que a negativa aparece.
A regra de referência do mercado: um condutor com menos de 25 ou 26 anos — o corte varia conforme a seguradora — que usa o carro mais de dois dias por semana passa a ser considerado condutor principal. Havendo mais de um nessa situação, o perfil do mais novo é a referência. No contrato da Ezze, isso está na cláusula 18.7.
Existe uma prova concreta de que essa penalização não é capricho de uma empresa: o sistema de bônus usado no mercado tem uma tabela de idade contra classe máxima de bônus. Um segurado de 18 anos fica travado na classe mais baixa mesmo sem nunca ter batido o carro na vida, e só a partir dos 28 anos a classe máxima fica disponível sem teto por idade.
Declarar corretamente encarece a cotação, sim. Mas resolve o problema antes que ele exista: o filho que fica com o carro no fim de semana passa a estar coberto, e você não descobre no pior momento possível que a apólice não valia pra aquela situação. Um seguro mais barato que não paga é o pior negócio possível.
A mesma lógica se estende a outras situações previstas nas cláusulas 18.8 a 18.14: usar o carro em autoescola ou treinamento de direção, fazer transporte remunerado por aplicativo sem aceitação prévia da seguradora, transportar passageiros sem a categoria correta no documento do veículo, ou dirigir sem habilitação válida.
Um ponto do contrato que exige atenção na comparação
A cobertura de danos materiais a terceiros — a que paga o carro de quem você bateu — normalmente não tem franquia no mercado brasileiro. Nas Condições Gerais da Ezze, a cláusula 3.6 prevê que ela pode ter franquia, no que o próprio contrato chama de regime de exceção.
Isso não significa que sua apólice terá. Significa que pode ter, e que você precisa conferir isso no seu demonstrativo de coberturas antes de assinar. Comparar duas propostas sem olhar esse detalhe é comparar coisas diferentes achando que são iguais.
A Ezze Seguros é confiável?
Do ponto de vista regulatório, sim: é uma seguradora autorizada pela SUSEP desde 2019, com balanço auditado publicado todo ano e reputação sólida em atendimento no Reclame Aqui. A ressalva honesta é que o índice de reclamações da SUSEP a coloca no meio de cima do ranking do ramo de automóveis, e que a operação de auto dela é recente. Confiável do ponto de vista de existir e pagar, sim. Perfeita, nenhuma seguradora é.
A Ezze Seguros exige aplicativo ou rastreador no carro?
Aplicativo e telemetria, não — esse é um dos diferenciais dela frente às seguradoras digitais. Rastreador pode ser exigido conforme o perfil do veículo e da região. Quando é exigido e não é instalado ou não é revisado, a penalidade prevista no contrato atinge apenas as coberturas de roubo e furto.
Este seguro serve pra frota de empresa?
Tudo o que está descrito aqui se refere ao seguro auto individual, que é o produto que a maioria das pessoas contrata. Seguro de frota tem regras próprias de aceitação e precificação e precisa ser analisado caso a caso, com o corretor.
Então vale a pena fechar com a Ezze?
Depende do seu perfil, e essa não é resposta evasiva — é a única resposta honesta possível.
O que dá pra afirmar com segurança é isto: o preço do seguro auto varia muito entre seguradoras para o mesmo perfil. A mesma pessoa, com o mesmo carro, na mesma semana, recebe cotações bem diferentes de companhias diferentes. Isso acontece porque cada seguradora tem a própria carteira de sinistros e o próprio apetite de risco pra aquele modelo e aquela região. Uma empresa que já teve prejuízo com um carro específico na sua cidade vai cobrar caro. Outra, que quer crescer naquele nicho, vai cobrar bem menos pelo mesmo risco.
É por isso que a Ezze pode ser a melhor proposta da sua cotação e a pior da cotação do seu vizinho, sem nenhuma contradição nisso.
Lembra da cena do começo? Você digitou o nome da seguradora no Google e achou o site dela dizendo que é ótima e uma reclamação dizendo que é péssima. Nenhum dos dois estava mentindo. Os dois estavam contando um pedaço. O que resolve não é escolher em qual acreditar — é abrir o contrato, entender o que ele cobre e o que ele exige de você, e comparar com o que as outras propostas oferecem.
Há mais de 30 anos em Salvador, é exatamente esse trabalho que a gente faz: ler o contrato inteiro antes de você assinar, do lado de quem paga a conta.
A regra do condutor principal não é exclusividade da Ezze — veja como a mesma lógica aparece nas condições gerais da Justos.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a proposta, a apólice nem as Condições Gerais do seguro, que prevalecem na definição de coberturas, limites, franquias, exclusões e critérios de indenização, nos termos da regulamentação aplicável da SUSEP, incluindo a Circular SUSEP nº 621/2021.
Recebeu uma cotação da Ezze ou de outra seguradora? compare cobertura, franquia e limite para terceiros com outras seguradoras disponíveis pro seu perfil.